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sábado, 19 de maio de 2012

A REVISTA PERSPECTIVAS EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO - PCI/UFMG PUBLICA NOVO ARTIGO DE AUTORIA DE JÚLIA GONÇALVES DA SILVEIRA E RULEANDSON DO CARMO CRUZ


PERSPECTIVAS EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO - PCI/UFMG PUBLICA NOVO ARTIGO DE AUTORIA DE JÚLIA GONÇALVES DA SILVEIRA E RULEANDSON DO CARMO CRUZ

 Amigos, compartilhamos artigo publicado no último número da revista Perspectivas em Ciência da Informação (v, 17, n. 2, 2012), escrito em coautoria com meu orientando do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, o jornalista Ruleandson do Carmo Cruz, que concluiu, em 2011, o mestrado na UFMG:

Título do artigo: Análise de informações sobre sustentabilidade ambiental circulantes no Orkut: estudo exploratório do tópico “E o Rio?”

Autores: Júlia Gonçalves da Silveira ;  Ruleandson do Carmo Cruz.

Resumo:

Apresenta resultados de um estudo exploratório do tópico “E o rio?”, criado na comunidade virtual “Ferros MG” – existente no Orkut. Nele, os diversos membros debatem sobre a instalação de pequenas centrais hidrelétricas na bacia do Rio Santo Antônio, que banha a cidade mineira de Ferros. Revela facetas dos debatedores do citado tópico, em momentos de busca e de troca de informações de interesses coletivos. Conclui que as informações prevalecentes nas discussões clamam por maior transparência de informações por parte das autoridades municipais e estaduais em assuntos que afetem a comunidade local, entre outras constatações apresentadas.

Palavras-chave

Orkut; Comunidades virtuais; Usuários - Comportamento informacional; Sustentabilidade ambiental; Redes sociais virtuais; Informação ambiental; Ferros - MG - Brasil; Rios - bacias hidrelétricas.

 Texto completo: PDF


Acesso em: 19 maio 2012.



PERSPECTIVAS EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

 ISSN 1981-5344 (Online)

 Classificação Qualis- CAPES- A 1

 Email- pci@eci.ufmg.br

Telefone- (31) 3409 5227

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O TESTE DA BIBLIOTECA: AVALIAÇÃO DA WORLD DIGITAL LIBRARY

POSTAGEM REAPRESENTADA EM 26/11/2010
Aos meus alunos das disciplinas "Acesso a Fontes de Informação em Meio Digital" e "Fontes de Informação para Pesquisadores e Profissionais", a título de exemplo de avaliação de uma biblioteca digital.

TEXTO INTEGRAL DE ENTREVISTA CONCEDIDA AO JORNAL “ESTADO DE MINAS” EM 28 DE ABRIL DE 2009 AVALIANDO A WORLD DIGITAL LIBRARY - BIBLIOTECA DIGITAL MUNDIAL.
JORNALISTA QUE SOLICITOU AS INFORMAÇÕES: FREDERICO BOTTREL
ENTREVISTADA: JÚLIA GONÇALVES DA SILVEIRA
PROFESSORA ADJUNTA DA ESCOLA DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO DA UFMG. DEPARTAMENTO DE ORGANIZAÇÃO E TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO.

FREDERICO BOTTREL: 1 - Qual avaliação você faz da navegabilidade e da disposição das informações na Biblioteca Digital Mundial (http://www.wdl.org/)?
JÚLIA GONÇALVES DA SILVEIRA: Considero que a navegabilidade na WDL (BDM, segundo a sigla adotada para a língua portuguesa) não oferece dificuldades de se deslocar pelos nós e pelas ligações previamente estabelecidas pelos seus criadores, decorrentes das marcações propositais, necessárias e convenientes a esse sistema de informação em um ambiente hipermídia e hipertextual.
Quanto à disposição das informações, vejo a escolha do formato de apresentação bastante interessante e condizente com os propósitos da BDM, enquanto espaço informacional que almeja, em última instância, promover o acesso compartilhado e cooperativo, assim como divulgar recursos de informação raros ou valiosos provenientes de todo o mundo. O design que se apresenta, a meu ver, especialmente na página principal, aparenta uma idéia, uma intenção de se colocar as regiões componentes do nosso planeta, como provedoras de informação e de cultura, irmanadas em ideais comuns, aparentemente livres de barreiras, preconceitos culturais e isentos de interesses de dominação.
A interface de navegação em sete línguas, incluindo a língua portuguesa, atenua a questão da barreira lingüística. Os usuários da Biblioteca Digital Mundial têm a possibilidade de executar pesquisas por termos específicos ou pesquisar o catálogo por diversos pontos de acesso à informação, entre eles: local, tempo, assunto, tipo de item, ou por instituição contribuinte. O modo mais simples ou fácil, de uso ao sistema, encaminha o usuário, página por página, para visualizar o trabalho original, frequentemente com uma descrição em várias línguas, o que facilita a expansão do nível de compreensão da informação ali organizada e tratada tecnicamente.
Entretanto, sabe-se que essa e outras ferramentas e recursos de informação, organizados sistematicamente e disponíveis na internet ou em outros canais, veículos de informação e comunicação, redes eletrônicas internas e suportes diversificados, podem apresentar sérias dificuldades de uso para aquelas pessoas que não têm o costume ou cultura de acessar bibliotecas reais, híbridas ou digitais, organizadas e estruturadas, segundo determinados requisitos recomendados para tais sistemas de informação. Problemas relacionados à dificuldade de uso eficiente e eficaz das bibliotecas digitais são constantemente relatados na literatura especializada. Isso ocorre mais frequentemente em paises nos quais as possibilidades de uso de tecnologias de informação e comunicação situam-se em condições de desvantagem em relação a outros paises ditos desenvolvidos. Resultados de pesquisas apontam, e percebo isso claramente em meu cotidiano de trabalho, anteriormente como bibliotecária/documentalista, e atualmente na condição de professora de disciplinas que incluem o acesso a fontes de informação em meios digitais, alguns dos entraves relacionados ao uso mais adequado dos sistemas de informação e/ou das bibliotecas em meios digitais, entre eles: excesso de ansiedade diante de sistemas automatizados, no sentido de exigência de respostas rapidíssimas em detrimento da preocupação que se deveria ter relativa à procedência e qualidade da informação a ser recuperada; uso excessivo ou satisfação consciente ou inconsciente de respostas obtidas apenas através da condução da pesquisa pelas ferramentas de busca, a exemplo da adoção universal e incondicional do Google e de outros buscadores similares; a falta de hábito ou de costume da leitura propriamente dita, já que grande parte dos usuários não orientados adequadamente, no que diz respeito à necessidade de conhecimento da estrutura, características, conteúdos, estratégias eficazes de recuperação da informação e das facilidades que o sistema lhe oferece, geralmente ignoram os manuais de ajuda ou de auxílio aos utilizadores. Muitos usuários, assim que encontram uma caixa ou área para digitar os termos de busca que lhe interessam, inserem palavras, termos ou descritores, desconhecendo totalmente a complexidade da estrutura que suporta todo o processo que envolve a identificação, seleção, tratamento técnico, divulgação e uso adequado de informações. Daí a importância de um maior esforço no sentido de se preparar os usuários ou pessoas para o uso da informação contida em sistemas automatizados. O que significa, em outras palavras, da necessidade de dotá-los de habilidades básicas para o uso da informação e das tecnologias emergentes, enquanto leitores críticos e competentes que devem ser. O manual de ajuda da BDM está disponível, em português, no seguinte endereço: http://www.wdl.org/pt/help.html Acesso em: 27 abr. de 2009. (JGS)

FREDERICO BOTTREL: 2 - E do conteúdo disponível? (FB)
JÚLIA GONÇALVES DA SILVEIRA: O conteúdo informacional é bastante abrangente e diversificado, em termos de procedência regional, assuntos cobertos, período ou tempo (8000 a.C. - 2009 d.C), e de tipos de materiais componentes do acervo. Disponibilizam informações classificadas nas seguintes áreas do conhecimento ou subdivisões destas: ciências sociais; filosofia e psicologia; tecnologia; religião; idiomas; artes, belas artes e artes decorativas; ciências naturais e matemática; literatura e retórica; história e geografia, provenientes de várias partes do mundo e em diversos formatos e idiomas. A equipe parceira se esforçou para incluir, na Biblioteca Digital Mundial, conteúdos importantes e culturalmente significativos sobre cada país-membro da UNESCO (, conforme destacado no arquivo FAQ, do próprio site. Quanto aos tipos de materiais ou itens encontram-se na BDM: mapas, livros, diários, manuscritos, partituras, filmes, fotografias e impressos, registros fonográficos, classificados segundo o sistema de Classificação Decimal de Dewey (CDD) por: lugar, tempo, assunto e tipo de item.

FREDERICO BOTTREL: 3 - Na sua opinião quais são as características fundamentais de uma boa biblioteca digital?
JÚLIA GONÇALVES DA SILVEIRA: A primeira delas é que seja construída para atender necessidades, demandas expressas e potenciais de informações, baseada em conhecimento prévio da comunidade potencial e real a ser atendida. Outros aspectos que devem ser observados, ainda na fase de planejamento ou no decorrer do processo de construção, relacionam-se a qualidade dos serviços a prestar; qualidade do conteúdo digital que comporá o acervo da biblioteca e previsão de acompanhamento de outros pontos importantes, destacados na literatura especializada[1], tais como: especificação dos metadados, catálogo propriamente dito, acessibilidade, pertinência, preservabilidade, relevância, significância, possibilidade de informar se o objeto digital consultado já foi citado, quando e quantas vezes, após a sua criação ou disponibilização para consultas; promover a integração de conteúdos ou recursos de informação heterogêneos; possuir uma interface de busca única, simples e funcional para acesso aos recursos informacionais internos e externos, acessíveis via links; possuir interfaces ergonômicas e adaptativas; possuir interfaces em vários idiomas; respeito aos direitos autorais; interoperabilidade, possibilitando o compartilhamento e transferência de dados e informações; adoção de padrões e protocolos de consenso de aceitação internacional; adotar tecnologias emergentes visando ao aprimoramento de operações tradicionais como classificação, indexação e compatibilização de informações, evoluindo no sentido de adotar preceitos relacionados à gestão de conteúdos, automação de tarefas mais complexas e de propostas voltadas ao desenvolvimento da web semântica, que objetiva essencialmente facilitar a vida das pessoas através de respostas fornecidas pelo agente inteligente acoplado ao sistema de informação.

FREDERICO BOTTREL: 4 - É descartado o exercício de futurologia que vislumbra um tempo em que as bibliotecas digitais substituam os acervos em livros de papel?
JÚLIA GONÇALVES DA SILVEIRA: Não acredito que assim possa ser considerada essa questão, e nem concebo o assunto sob esse radicalismo em termos de exclusão total dos acervos de livros impressos em papel. Creio que conviveremos com a diversidade de suportes de registros das informações e do conhecimento e com a existência de bibliotecas compostas por materiais reais e virtuais. Bibliotecas híbridas, talvez seja a tipologia mais comum por muito tempo, porque duvido que instituições ou pessoas conscientes e sábias abrirão mão de seus documentos originais ou irão descartar, se desfazer de suas fontes primárias, de seus acervos originais e preciosos, que na realidade possibilitaram o surgimento de grande maioria do que hoje encontramos em formato digitalizado e disponível para uso coletivo através das redes eletrônicas e das bibliotecas digitais.

FREDERICO BOTTREL: 5 - Fale um pouco sobre o projeto de biblioteca digital desenvolvido por sua equipe na UFMG. Preciso das informações gerais a respeito. O nome do projeto, objetivos, metodologia, previsão de lançamento e o que mais julgar importante.
JÚLIA GONÇALVES DA SILVEIRA: A pesquisa em andamento que desenvolvo na Escola de Ciência da Informação da UFMG intitula-se: “Fontes de informação para antiquários e amantes das artes e cultura: conteúdos informacionais para construção de uma biblioteca virtual temática”. O objetivo geral pode ser expresso como “construir uma biblioteca virtual temática ou especializada, que possa atender necessidades informacionais de profissionais ou de pessoas e organizações envolvidas com o antiquariato ou interessados em artes e antiguidades de modo geral”. Constitui, de certa forma, continuidade de minha pesquisa de doutoramento, cuja tese[2] objetivou caracterizar o comportamento informacional e identificar fontes de informação preferenciais utilizadas por antiquários, assim como estudar e mapear o fluxo de informação estabelecido por esses profissionais (registrado em livros de memórias de antiquários brasileiros, e em pesquisa de campo realizada com antiquários atuantes na Rua do Lavradio, no Rio de Janeiro) para identificação, seleção, aquisição e atribuição de valor/cotação de objetos de arte, antigos e raros, assim como de outros aspectos relacionados ao uso de informação para tomada de decisão em contextos específicos de trabalho dos antiquários comerciantes e colecionadores.
A metodologia percorrida para a construção da biblioteca virtual envolve a identificação, seleção, tratamento e organização da informação, agrupada inicialmente em formatos de hemeroteca digital, diretórios e guias de fontes de informação diversos e condizentes com os objetivos da pesquisa. As atividades programadas e em execução dizem respeito a: identificação de fontes de informação pessoais e impessoais; definição dos metadados e realização de marcações convenientes à localização posterior e recuperação de informações relevantes e pertinentes, elaboração dos diretórios eletrônicos previstos e preparação técnica dos demais materiais que comporão o acervo da biblioteca virtual especializada.
Nesse projeto, alunos do curso de Biblioteconomia foram agregados formalmente aos trabalhos de pesquisa. Um deles através do Programa Pronoturno, e outro na condição de bolsista de iniciação científica, subsidiado pela Fapemig. No decorrer dos trabalhos de investigação envolvemos outros alunos cursantes de disciplinas por mim ministradas, que elaboraram, sob minha orientação, breves guias de fontes de informação em artes e antiguidades, cujos conteúdos provavelmente serão inseridos na biblioteca virtual. Este ano pretendemos concluir os trabalhos de tratamento de toda a informação já selecionada, bem como implantar e inaugurar a “Biblioteca Virtual Temática em Artes e Antiguidades”, desde que tenhamos o apoio institucional ou de outros prováveis parceiros, relacionado às condições de manutenção de infra-estrutura tecnológica e material necessária. A continuidade de colaboração regular de bolsistas ou estagiários para execução de atividades referentes à inserção de dados e informações na biblioteca virtual em construção também constitui requisito fundamental para o cumprimento do cronograma de trabalho até então definido.

FREDERICO BOTTREL: 6 - Fique à vontade para tecer quaisquer outras considerações sobre o tema.
JÚLIA GONÇALVES DA SILVEIRA Fica para uma outra entrevista ... :) caso haja interesse, obviamente.

[1] GONÇALVES, M. A. et al. What is a good digital library ?: a quality model for digital libraries. Information Processing and Management, v. 43, p. 1416-1437, 2007.
MARCONDES, C. H. et al. (Org.). Bibliotecas digitais : saberes e práticas. 2. ed. Salvador; Brasília: UFBA; IBICT, 2006. 336 p.
[2] SILVEIRA, Júlia Gonçalves da. Fontes de informação de antiquários: proposta de um modelo de análise e de categorização. 232 f. 2006. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) – Escola de Ciência da Informação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2006.

sábado, 17 de abril de 2010

SOB AS ESTRELAS

Sob as estrelas me vejo a sorrir,
sorrir pela primeira infância doce e calma.
Sob as estrelas me vejo a chorar,
chorar pelo que sofri ao perder entes queridos.
Sob as estrelas me vejo a sonhar,
sonhar pela ilusão do amor incondicional.
Sob as estrelas me vejo a cismar,
cismar pelo ser ou não ser.
Sob as estrelas me vejo a realizar,
realizar-me como mulher amante, mãe e avó.
Sob as estrelas me vejo a agradecer,
agradecer pelas conquistas e afagos de amigos.
Sob as estrelas me vejo a viver,
viver a vida a sorrir, chorar e amar.
Sob as estrelas me vejo a passar,
passar pela vida e sentir
que não vivi em vão.
Júlia Gonçalves da Silveira
17/04/2010

quinta-feira, 15 de abril de 2010

GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: reflexões

Caros alunos do PPGCI,

Encaminho artigo de revisão, de minha autoria, para “inspirar” ou instigar :) a construção do trabalho final da disciplina “Acesso a Fontes de Informação em C & T em Meios Digitais”, conforme entendimentos mantidos na última aula.
Abraços,
Profa. JúliaGSilveira

Gestão de recursos humanos em bibliotecas
universitárias: reflexões

Resumo
Apresenta os resultados de uma revisão de literatura
feita sobre gestão de recursos humanos em bibliotecas
universitárias com o objetivo de conhecer a situação
atual apresentada por alguns estudiosos da área, assim
como contribuir para melhoria da performance dos
administradores de unidades de informação atuantes no
contexto acadêmico.
A realidade estudada, nos trabalhos selecionados para
análise, sugere mudanças de posturas no desempenho
dos gerentes das bibliotecas universitárias nacionais,
assim como na maneira de as organizações considerarem
seus subsistemas. Recomenda tanto aos bibliotecários
quanto às instituições universitárias assumir uma postura
mais efetiva relacionada aos investimentos em atividades
de capacitação, aperfeiçoamento e qualificação, para que
tenham condições de implementar serviços e produtos de
informação científica e tecnológica mais adequados às
demandas e necessidades da comunidade, especialmente
da universitária. Sugere, ainda, aos gerentes das
bibliotecas universitárias, que assumam posturas
mais efetivas, relativas a posicionamentos políticos e
humanitários perante a nova ordem econômica mundial,
na qual aspectos sociais, culturais e humanos tendem a
ocupar espaços secundários.

Palavras-chave
Gestão de recursos humanos. Gestão de pessoas.
Gestão de capital humano. Gestão de bibliotecas
universitárias. Gestão de bibliotecas acadêmicas.

Title
Management of human resources in
university libraries: reflections

Abstracts
The results of a literature review about human resources
management at university libraries are brought out here for
the purpose of knowing the present situation presented by
some scholars in this area, as well as contributing to the
betterment of the performance of managers of information
units operating in this academic context. The reality
studied through selected works for analysis suggests
changes in the positions concerning the performance
of managers of the national university libraries, as
well as in the way of how the organizations take into
consideration their subsystems. It is recommended that
both the librarians and university institutions take up a
more effective position as regards investments in activities
of capacity, improvement and qualification. So better
conditions should be held for implementing services
and products of scientific and technological information
fitting better for the demands and needs of especially the
academic community. It is furthermore suggested that the
university library managers may take up a more effective
attitude in relation to the political and humanitarian
positions before the new economic world order, in which
social, cultural and human aspects are placed in a second
plan.

Keywords
People management. Human capital. Human resources
management. University libraries management. Academic
libraries management.

Autora: Júlia Gonçalves da Silveira
Doutora em Ciência da Informação. Professora Adjunta da UFMG. Escola de Ciência da Informação. Departamento de Organização e Tratamento da Informação.
E-mail: juliags2@hotmail.com

Artigo de REVISÃO DE LITERATURA
Publicada em: Ciência da Informação, Brasília, v. 38, n. 2, p. 126-141, maio/ago. 2009.

Disponível, em texto completo,nesse endereço eletrônico:
http://revista.ibict.br/index.php/ciinf/article/view/1072/1328
Data do último acesso: 15 abr. 2010

quinta-feira, 11 de março de 2010

SALVE O BIBLIOTECÁRIO E QUE VIVAM AS BIBLIOTECAS REAIS E VIRTUAIS

Vida de Bibliotecário

Vida de bibliotecário, para aqueles que desconhecem a missão, a natureza do trabalho e as atribuições que cabem a esse profissional na sociedade, pode ser entendida ou estereotipada como limitante, singela, monótona e desprovida de desafios.
Em determinados contextos sociais em que a educação não constitui prioridade de ações efetivas que motivem ou possibilitem o desenvolvimento pleno, ideal das pessoas ou das comunidades, a vida das bibliotecas e, em conseqüência, a dos bibliotecários vê-se constantemente atingida por desafios e lutas.

O bibliotecário, quando disposto e preparado para exercer bem os seus diversos papéis, incluindo o de agente de mudança social, deve integrar as funções da biblioteca e da informação às demais ações vitais da sociedade.
É de consenso universal que a informação se constitui em insumo básico para a geração de conhecimentos e que pode auxiliar soluções de problemas que afligem o homem ou as organizações integrantes da sociedade. Mola propulsora de desenvolvimento pessoal e organizacional, a informação, do mesmo modo, é matéria prima fundamental do trabalho cotidiano do bibliotecário, a quem cabe conhecer profundamente os seus diversos suportes, canais de veiculação, tipologia e características das mais diversas fontes de informação nacionais e internacionais para realizar atividades inerentes a sua profissão. Atividades estas que envolvem a identificação, seleção, tratamento, conservação preventiva, disseminação e maximização de uso das informações organizadas e disponíveis nas bibliotecas contemporâneas reais ou eletrônicas.
Vida de bibliotecário envolve, portanto, a sensibilidade e o preparo adequado para atuar, em síntese, nos planos gerenciais e estratégicos, pedagógicos, técnicos, metodológicos, sócio-políticos e culturais da sociedade.
Os registros do conhecimento humano e as formas de comunicação evoluíram. Talvez aí esteja a pista de novas possibilidades, de abertura de campos emergentes para inserção do bibliotecário a quem, ao longo da história, sempre coube a função de identificar, selecionar, organizar e disseminar informações. Os avanços tecnológicos propiciam a concretização de instrumentos que podem facilitar ou impedir a evolução de seu trabalho e de sua forma de executá-lo. Acompanhando a evolução do mercado de informação, com postura crítica perante não apenas a este mercado, mas diante de sua inserção individual e coletiva na sociedade, a tendência do profissional bibliotecário é sobreviver e progredir.
Em 1945, em artigo clássico de sua autoria intitulado “As we may think,” Vanevar Bush já previa a necessidade do "indicador de pistas. Pessoas que tem prazer em encontrar pistas úteis no enorme volume do registro comum". Estaria prevendo a necessidades de bibliotecários e/ou profissionais da informação para gerenciar o caos de informações não organizadas? O volume e variedade de informações disponibilizadas atualmente pela Internet que, paradoxalmente, podem representar uma séria dificuldade para seus usuários, constituem campo fértil e promissor para aqueles profissionais que dominam tecnologias de organização e de tratamento da informação.
Acredito que sua missão deverá centrar-se na utilidade social das bibliotecas ou unidades de informação (reais ou virtuais, independentemente de sua tipologia) e na contribuição pessoal que poderá prestar, através de suas atribuições formais, ao desenvolvimento de pessoas e organizações que necessitam de informação para desenvolver o seu trabalho, solucionar seus problemas, praticar o lazer e entretenimento, entre outras ações.
Concordo com autores, entre eles, Guinchat e Menou, os quais defendem, em sua obra “Introdução geral às ciências e técnicas da informação e documentação” que não existe um novo profissional da informação, e sim o profissional da informação lidando com novas tecnologias e com novos contextos de organização das empresas e das entidades públicas, interagindo com novas formas de gerenciamento, de planejamento, de avaliação de resultados.
Até a época da chamada "era industrial", a comunidade ia "fisicamente" às bibliotecas. Hoje, era da tecnologia, da informação e do conhecimento, as bibliotecas, mais do que nunca, precisam ir à comunidade, o que pode ser viabilizado e facilitado através da gama enorme de instrumentos de comunicação, decorrentes de avanços da ciência e da tecnologia.
As bibliotecas atuais e do futuro devem ser compostas de materiais reais e virtuais, possibilitando formas diversificadas de acesso ao conjunto de recursos informacionais internos e externos. O ponto básico a ser considerado pelos bibliotecários e outros profissionais de informação não deve ser a tecnologia por ela mesma, mas a possibilidade de intermediar acesso à informação de forma mais ágil, eficiente e eficaz e de atender necessidades de pessoas, inclusive promovendo o seu papel de bibliotecário educador, levando-as ao letramento, alfabetizando-as e dotando-as de competência informacional. Sua missão deverá centrar-se na utilidade social de seu trabalho, isto é, na contribuição que puder dar, enquanto agente mediador entre necessidades de informação de usuários que buscam ou que esperam que a biblioteca possa atendê-los, interferindo positivamente no processo de crescimento, de desenvolvimento de seres humanos.
O futuro da profissão e das bibliotecas parece claramente condicionado às respostas que profissionais e instituições puderem dar aos anseios e demandas das sociedades de seu tempo e do futuro. Cabe ao bibliotecário, e aos profissionais de informação de modo geral, zelar pelos destinos de sua profissão e pelas oportunidades de ampliação de seus espaços de trabalho no mundo real e no ciberespaço.
Júlia Gonçalves da Silveira
Professora Adjunta do Departamento de Organização e Tratamento da Informação da ECI/UFMG

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Novo artigo, de minha autoria, publicado pela revista Ciência da Informação, Brasília, v. 38, n. 2, maio/ago. 2009

Gestão de recursos humanos em bibliotecas universitárias: reflexões
Júlia Gonçalves da Silveira
Resumo
Apresenta os resultados de uma revisão de literatura feita sobre gestão de recursos humanos em bibliotecas universitárias com o objetivo de conhecer a situação atual apresentada por alguns estudiosos da área, assim como contribuir para melhoria da performance dos administradores de unidades de informação atuantes no contexto acadêmico. A realidade estudada, nos trabalhos selecionados para análise, sugere mudanças de posturas no desempenho dos gerentes das bibliotecas universitárias nacionais, assim como na maneira de as organizações considerarem seus subsistemas. Recomenda tanto aos bibliotecários quanto às instituições universitárias assumir uma postura mais efetiva relacionada aos investimentos em atividades de capacitação, aperfeiçoamento e qualificação, para que tenham condições de implementar serviços e produtos de informação científica e tecnológica mais adequados às demandas e necessidades da comunidade, especialmente da universitária. Sugere, ainda, aos gerentes das bibliotecas universitárias, que assumam posturas mais efetivas, relativas a posicionamentos políticos e humanitários perante a nova ordem econômica mundial, na qual aspectos sociais, culturais e humanos tendem a ocupar espaços secundários.
Palavras-chave
Gestão de recursos humanos. Gestão de pessoas. Gestão de capital humano. Gestão de bibliotecas universitárias. Gestão de bibliotecas acadêmicas.
Management of human resources in university libraries: reflections
Abstracts
The results of a literature review about human resources management at university libraries are brought out here for the purpose of knowing the present situation presented by some scholars in this area, as well as contributing to the betterment of the performance of managers of information units operating in this academic context. The reality studied through selectedworks for analysis suggests changes in the positions concerning the performance of managers of the national university libraries, as well as in the way of how the organizations take into consideration their subsystems. It is recommended that both the librarians and university institutions take up a more effective position as regards investments in activities of capacity, improvement and qualification. So better conditions should be held for implementing services and products of cientific and technological information fitting better for the demands and needs of especially the academic community. It is furthermore suggested that the university library managers may take up a more effective attitude in relation to the political and humanitarian positions before the new economic worldorder, in which social, cultural and human aspects are placed in a second plan.
Keywords
People management. Human capital. Human resources management. University libraries management. Academic libraries management.Texto Completo: PDF

Disponível em: http://revista.ibict.br/index.php/ciinf/article/view/1072

Acesso em: 8 set. 2009

terça-feira, 5 de maio de 2009

BIBLIOTECA DIGITAL MUNDIAL - ENTREVISTA QUE CONCEDI AO JORNAL "ESTADO DE MINAS".

ENTREVISTA QUE CONCEDI AO JORNAL “ESTADO DE MINAS” SOBRE A “WORLD DIGITAL LIBRARY” = “BIBLIOTECA DIGITAL MUNDIAL” - BDM, DISPONÍVEL EM: http://www.wdl.org/pt/

Trechos dessa entrevista foram publicados no Caderno “Informátic@”, do Jornal “Estado de Minas”, Belo Horizonte, em 30 de abr. 2009, quinta-feira, p. 3, sob o título: “O TESTE DA BIBLIOTECA”: especialista aprova site que se propõe a reunir o maior número de informações históricas. Infelizmente o referido jornal publicou meu nome de forma equivocada. Eu sou Júlia Gonçalves da Silveira, responsável e autora das informações transcritas a seguir, e não Júlia Guimarães da Silveira, como registraram no jornal “Estado de Minas”.

TEXTO INTEGRAL DA ENTREVISTA CONCEDIDA AO JORNAL “ESTADO DE MINAS” EM 28 DE ABRIL DE 2009.
JORNALISTA QUE SOLICITOU AS INFORMAÇÕES: FREDERICO BOTTREL
ENTREVISTADA: JÚLIA GONÇALVES DA SILVEIRA
PROFESSORA ADJUNTA DA ESCOLA DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO DA UFMG. DEPARTAMENTO DE ORGANIZAÇÃO E TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO.

FREDERICO BOTTREL: 1 - Qual avaliação você faz da navegabilidade e da disposição das informações na Biblioteca Digital Mundial (http://www.wdl.org/)?
JÚLIA GONÇALVES DA SILVEIRA: Considero que a navegabilidade na WDL (BDM, segundo a sigla adotada para a língua portuguesa) não oferece dificuldades de se deslocar pelos nós e pelas ligações previamente estabelecidas pelos seus criadores, decorrentes das marcações propositais, necessárias e convenientes a esse sistema de informação em um ambiente hipermídia e hipertextual.
Quanto à disposição das informações, vejo a escolha do formato de apresentação bastante interessante e condizente com os propósitos da BDM, enquanto espaço informacional que almeja, em última instância, promover o acesso compartilhado e cooperativo, assim como divulgar recursos de informação raros ou valiosos provenientes de todo o mundo. O design que se apresenta, a meu ver, especialmente na página principal, aparenta uma idéia, uma intenção de se colocar as regiões componentes do nosso planeta, como provedoras de informação e de cultura, irmanadas em ideais comuns, aparentemente livres de barreiras, preconceitos culturais e isentos de interesses de dominação.
A interface de navegação em sete línguas, incluindo a língua portuguesa, atenua a questão da barreira lingüística. Os usuários da Biblioteca Digital Mundial têm a possibilidade de executar pesquisas por termos específicos ou pesquisar o catálogo por diversos pontos de acesso à informação, entre eles: local, tempo, assunto, tipo de item, ou por instituição contribuinte. O modo mais simples ou fácil, de uso ao sistema, encaminha o usuário, página por página, para visualizar o trabalho original, frequentemente com uma descrição em várias línguas, o que facilita a expansão do nível de compreensão da informação ali organizada e tratada tecnicamente.
Entretanto, sabe-se que essa e outras ferramentas e recursos de informação, organizados sistematicamente e disponíveis na internet ou em outros canais, veículos de informação e comunicação, redes eletrônicas internas e suportes diversificados, podem apresentar sérias dificuldades de uso para aquelas pessoas que não têm o costume ou cultura de acessar bibliotecas reais, híbridas ou digitais, organizadas e estruturadas, segundo determinados requisitos recomendados para tais sistemas de informação. Problemas relacionados à dificuldade de uso eficiente e eficaz das bibliotecas digitais são constantemente relatados na literatura especializada. Isso ocorre mais frequentemente em paises nos quais as possibilidades de uso de tecnologias de informação e comunicação situam-se em condições de desvantagem em relação a outros paises ditos desenvolvidos. Resultados de pesquisas apontam, e percebo isso claramente em meu cotidiano de trabalho, anteriormente como bibliotecária/documentalista, e atualmente na condição de professora de disciplinas que incluem o acesso a fontes de informação em meios digitais, alguns dos entraves relacionados ao uso mais adequado dos sistemas de informação e/ou das bibliotecas em meios digitais, entre eles: excesso de ansiedade diante de sistemas automatizados, no sentido de exigência de respostas rapidíssimas em detrimento da preocupação que se deveria ter relativa à procedência e qualidade da informação a ser recuperada; uso excessivo ou satisfação consciente ou inconsciente de respostas obtidas apenas através da condução da pesquisa pelas ferramentas de busca, a exemplo da adoção universal e incondicional do Google e de outros buscadores similares; a falta de hábito ou de costume da leitura propriamente dita, já que grande parte dos usuários não orientados adequadamente, no que diz respeito à necessidade de conhecimento da estrutura, características, conteúdos, estratégias eficazes de recuperação da informação e das facilidades que o sistema lhe oferece, geralmente ignoram os manuais de ajuda ou de auxílio aos utilizadores. Muitos usuários, assim que encontram uma caixa ou área para digitar os termos de busca que lhe interessam, inserem palavras, termos ou descritores, desconhecendo totalmente a complexidade da estrutura que suporta todo o processo que envolve a identificação, seleção, tratamento técnico, divulgação e uso adequado de informações. Daí a importância de um maior esforço no sentido de se preparar os usuários ou pessoas para o uso da informação contida em sistemas automatizados. O que significa, em outras palavras, da necessidade de dotá-los de habilidades básicas para o uso da informação e das tecnologias emergentes, enquanto leitores críticos e competentes que devem ser. O manual de ajuda da BDM está disponível, em português, no seguinte endereço: http://www.wdl.org/pt/help.html Acesso em: 27 abr. de 2009. (JGS)

FREDERICO BOTTREL: 2 - E do conteúdo disponível? (FB)
JÚLIA GONÇALVES DA SILVEIRA: O conteúdo informacional é bastante abrangente e diversificado, em termos de procedência regional, assuntos cobertos, período ou tempo (8000 a.C. - 2009 d.C), e de tipos de materiais componentes do acervo. Disponibilizam informações classificadas nas seguintes áreas do conhecimento ou subdivisões destas: ciências sociais; filosofia e psicologia; tecnologia; religião; idiomas; artes, belas artes e artes decorativas; ciências naturais e matemática; literatura e retórica; história e geografia, provenientes de várias partes do mundo e em diversos formatos e idiomas. A equipe parceira se esforçou para incluir, na Biblioteca Digital Mundial, conteúdos importantes e culturalmente significativos sobre cada país-membro da UNESCO (, conforme destacado no arquivo FAQ, do próprio site. Quanto aos tipos de materiais ou itens encontram-se na BDM: mapas, livros, diários, manuscritos, partituras, filmes, fotografias e impressos, registros fonográficos, classificados segundo o sistema de Classificação Decimal de Dewey (CDD) por: lugar, tempo, assunto e tipo de item.

FREDERICO BOTTREL: 3 - Na sua opinião quais são as características fundamentais de uma boa biblioteca digital?
JÚLIA GONÇALVES DA SILVEIRA: A primeira delas é que seja construída para atender necessidades, demandas expressas e potenciais de informações, baseada em conhecimento prévio da comunidade potencial e real a ser atendida. Outros aspectos que devem ser observados, ainda na fase de planejamento ou no decorrer do processo de construção, relacionam-se a qualidade dos serviços a prestar; qualidade do conteúdo digital que comporá o acervo da biblioteca e previsão de acompanhamento de outros pontos importantes, destacados na literatura especializada[1], tais como: especificação dos metadados, catálogo propriamente dito, acessibilidade, pertinência, preservabilidade, relevância, significância, possibilidade de informar se o objeto digital consultado já foi citado, quando e quantas vezes, após a sua criação ou disponibilização para consultas; promover a integração de conteúdos ou recursos de informação heterogêneos; possuir uma interface de busca única, simples e funcional para acesso aos recursos informacionais internos e externos, acessíveis via links; possuir interfaces ergonômicas e adaptativas; possuir interfaces em vários idiomas; respeito aos direitos autorais; interoperabilidade, possibilitando o compartilhamento e transferência de dados e informações; adoção de padrões e protocolos de consenso de aceitação internacional; adotar tecnologias emergentes visando ao aprimoramento de operações tradicionais como classificação, indexação e compatibilização de informações, evoluindo no sentido de adotar preceitos relacionados à gestão de conteúdos, automação de tarefas mais complexas e de propostas voltadas ao desenvolvimento da web semântica, que objetiva essencialmente facilitar a vida das pessoas através de respostas fornecidas pelo agente inteligente acoplado ao sistema de informação.

FREDERICO BOTTREL: 4 - É descartado o exercício de futurologia que vislumbra um tempo em que as bibliotecas digitais substituam os acervos em livros de papel?
JÚLIA GONÇALVES DA SILVEIRA: Não acredito que assim possa ser considerada essa questão, e nem concebo o assunto sob esse radicalismo em termos de exclusão total dos acervos de livros impressos em papel. Creio que conviveremos com a diversidade de suportes de registros das informações e do conhecimento e com a existência de bibliotecas compostas por materiais reais e virtuais. Bibliotecas híbridas, talvez seja a tipologia mais comum por muito tempo, porque duvido que instituições ou pessoas conscientes e sábias abrirão mão de seus documentos originais ou irão descartar, se desfazer de suas fontes primárias, de seus acervos originais e preciosos, que na realidade possibilitaram o surgimento de grande maioria do que hoje encontramos em formato digitalizado e disponível para uso coletivo através das redes eletrônicas e das bibliotecas digitais.

FREDERICO BOTTREL: 5 - Fale um pouco sobre o projeto de biblioteca digital desenvolvido por sua equipe na UFMG. Preciso das informações gerais a respeito. O nome do projeto, objetivos, metodologia, previsão de lançamento e o que mais julgar importante.
JÚLIA GONÇALVES DA SILVEIRA: A pesquisa em andamento que desenvolvo na Escola de Ciência da Informação da UFMG intitula-se: “Fontes de informação para antiquários e amantes das artes e cultura: conteúdos informacionais para construção de uma biblioteca virtual temática”. O objetivo geral pode ser expresso como “construir uma biblioteca virtual temática ou especializada, que possa atender necessidades informacionais de profissionais ou de pessoas e organizações envolvidas com o antiquariato ou interessados em artes e antiguidades de modo geral”. Constitui, de certa forma, continuidade de minha pesquisa de doutoramento, cuja tese[2] objetivou caracterizar o comportamento informacional e identificar fontes de informação preferenciais utilizadas por antiquários, assim como estudar e mapear o fluxo de informação estabelecido por esses profissionais (registrado em livros de memórias de antiquários brasileiros, e em pesquisa de campo realizada com antiquários atuantes na Rua do Lavradio, no Rio de Janeiro) para identificação, seleção, aquisição e atribuição de valor/cotação de objetos de arte, antigos e raros, assim como de outros aspectos relacionados ao uso de informação para tomada de decisão em contextos específicos de trabalho dos antiquários comerciantes e colecionadores.
A metodologia percorrida para a construção da biblioteca virtual envolve a identificação, seleção, tratamento e organização da informação, agrupada inicialmente em formatos de hemeroteca digital, diretórios e guias de fontes de informação diversos e condizentes com os objetivos da pesquisa. As atividades programadas e em execução dizem respeito a: identificação de fontes de informação pessoais e impessoais; definição dos metadados e realização de marcações convenientes à localização posterior e recuperação de informações relevantes e pertinentes, elaboração dos diretórios eletrônicos previstos e preparação técnica dos demais materiais que comporão o acervo da biblioteca virtual especializada.
Nesse projeto, alunos do curso de Biblioteconomia foram agregados formalmente aos trabalhos de pesquisa. Um deles através do Programa Pronoturno, e outro na condição de bolsista de iniciação científica, subsidiado pela Fapemig. No decorrer dos trabalhos de investigação envolvemos outros alunos cursantes de disciplinas por mim ministradas, que elaboraram, sob minha orientação, breves guias de fontes de informação em artes e antiguidades, cujos conteúdos provavelmente serão inseridos na biblioteca virtual. Este ano pretendemos concluir os trabalhos de tratamento de toda a informação já selecionada, bem como implantar e inaugurar a “Biblioteca Virtual Temática em Artes e Antiguidades”, desde que tenhamos o apoio institucional ou de outros prováveis parceiros, relacionado às condições de manutenção de infra-estrutura tecnológica e material necessária. A continuidade de colaboração regular de bolsistas ou estagiários para execução de atividades referentes à inserção de dados e informações na biblioteca virtual em construção também constitui requisito fundamental para o cumprimento do cronograma de trabalho até então definido.

FREDERICO BOTTREL: 6 - Fique à vontade para tecer quaisquer outras considerações sobre o tema.
JÚLIA GONÇALVES DA SILVEIRA Fica para uma outra entrevista ... :) caso haja interesse, obviamente.

[1] GONÇALVES, M. A. et al. What is a good digital library ?: a quality model for digital libraries. Information Processing and Management, v. 43, p. 1416-1437, 2007.
MARCONDES, C. H. et al. (Org.). Bibliotecas digitais : saberes e práticas. 2. ed. Salvador; Brasília: UFBA; IBICT, 2006. 336 p.
[2] SILVEIRA, Júlia Gonçalves da. Fontes de informação de antiquários: proposta de um modelo de análise e de categorização. 232 f. 2006. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) – Escola de Ciência da Informação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2006.

quinta-feira, 12 de março de 2009

DIA DOS BIBLIOTECÁRIOS: congratulações à classe profissional

Vida de bibliotecário, para aqueles que desconhecem a missão, a natureza do trabalho e as atribuições que cabem a esse profissional na sociedade, pode ser entendida ou estereotipada como limitante, singela, monótona e desprovida de desafios.
Em determinados contextos sociais, nos quais a educação não constitui prioridade de ações efetivas que motivem ou possibilitem o desenvolvimento pleno de suas comunidades, a vida das bibliotecas e dos bibliotecários vê-se constantemente atingida por muitos desafios e lutas.
O bibliotecário, quando disposto e preparado para exercer bem os seus diversos papéis, incluindo o de agente de mudança social, de mediador da cultura, da educação e do conhecimento, pode levar a biblioteca a funcionar como um setor de serviços vitais da comunidade.
É de consenso universal que a informação se constitui em insumo básico para a geração de conhecimentos e que ela auxilia soluções de problemas que afligem o homem ou as organizações.
Mola propulsora de desenvolvimento pessoal e organizacional, a informação, do mesmo modo, é matéria prima fundamental do trabalho cotidiano do bibliotecário. A esse profissional cabe uma inserção profunda em atividades que envolvam a identificação, seleção, tratamento técnico ou organização sistemática, disseminação e uso da informação, entre outras atribuições.
Cabe ainda ao bibliotecário conhecer profundamente as características e necessidades de informação de sua comunidade de usuários, assim como dominar o conhecimento sobre os diversos suportes, canais de veiculação, tipologia, conteúdos e características das mais diversas fontes de informação nacionais e internacionais, de modo a colaborar na solução de problemas pessoais e sociais através do uso eficaz da informação.
Para realizar algumas das atividades inerentes a sua profissão, os bibliotecários trabalham, em síntese, com a identificação, seleção, tratamento, disseminação da informação e, de modo especial, com o preparo das pessoas para usar o universo das informações disponíveis nos mais variados suportes e canais.
Vida de bibliotecário envolve, portanto, a sensibilidade e o preparo adequado para atuar nos planos técnicos, sócio-políticos, educacionais e culturais, gerenciais e estratégicos da sociedade. Vida de bibliotecário deverá centrar-se essencialmente na utilidade social das bibliotecas ou unidades de informação nas quais exercem sua profissão, sejam elas configuradas como bibliotecas reais, virtuais ou híbridas.
Enquanto profissional que atua em agências sociais prestadoras de serviços de informação, o bibliotecário tem - inquestionavelmente - muito a contribuir com o desenvolvimento das pessoas e das organizações.

Autoria: Júlia Gonçalves da Silveira
Bibliotecária da UFMG/ECI/BC (1982-2006) Diretora da Biblioteca Universitária da UFMG (Gestão 1998-2000) e Professora Adjunta do Departamento de Organização e Tratamento da Informação da ECI/UFMG

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

ENSAIOS POÉTICOS

COISAS DE MÃE

As coisas de minha mãe falam fundo ao coração...
Representam a imensidão do vazio
e a plenitude de ter vivido
e absorvido o seu amor eterno e imensurável...
Riquezas de laços de família,
quiçá continuados por elos infinitos,
materializados nas coisas de mãe,
agora tão dispersas e mais amadas...

Autoria: Júlia Gonçalves da Silveira
Ferros, 7 de setembro de 2008
(In Memoriam à Elza Gomes da Silveira, minha mãe, falecida em 04 de abril de 2008)


CONTRAPONTO

Perdi
pais e irmãos.
Ganhei
a dimensão
da dor
da luta
contra
a dimensão
da dor
do luto.

Autoria: Júlia Gonçalves da Silveira
Belo Horizonte, 9 de outubro de 2008


INFÂNCIA

Todo adulto tem
uma criança que
já foi....

Júlia Gonçalves da Silveira
Belo Horizonte, 12 de outubro de 2008

RELATIVIDADE

Animal
gente
irracional.
Gente
bicho
irreverente.

Autoria: Júlia Gonçalves da Silveira
Belo Horizonte, 12 de outubro de 2008


QUEIXAS

Aproveito
a deixa
que me deixou
a gueixa
de me queixar
pela passageira
ilusão de amar
e ser amada
por inteiro.

Autoria: Júlia Gonçalves da Silveira
Belo Horizonte, 13 de outubro de 2008